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FAB planeja avião hipersônico não-tripulado para 2020

Demonstrador tecnológico 14-X testará tecnologia de motor scramjet, considerada uma das mais promissoras nos voos espaciais
By FAB, com informações da Airway. Updated on 01/06/2021 - Published in 04/11/2017

Discretamente, a Força Aérea Brasileira (FAB) está desenvolvendo uma tecnologia hoje só testada por países como os Estados Unidos e Austrália. Trata-se da propulsão scramjet, um tipo de motor capaz de tornar possível aeronaves hipersônicas e que voam em grandes altitudes. E é com um protótipo não-tripulado que a Aeronáutica pretende testar na prática o conceito em 2020.

O projeto Prohiper, como é chamado internamente, está sob responsabilidade do IEAV (Instituto de Estudos Avançados), localizado em São José dos Campos (SP), e é restrito hoje ao laboratório onde é avaliado no maior túnel de vento da América Latina. “Queremos hoje sair do nível laboratorial e dar o grande salto que é para o nível de qualificação em voo dessas tecnologias”, disse Israel Rêgo, gerente do Laboratório de Aerotermodinâmica e Hipersônica do IEAV.

Batizado de 14-X, o protótipo que demonstrará a tecnologia existe por enquanto apenas num modelo em escada com formato em asa delta de enflechamento bastante agudo. O motor scramjet é instalado na parte inferior da asa em delta e utiliza um princípio curioso: em vez de necessitar do combustível e do oxidante (oxigênio) como nos motores-foguete tradicionais, ele aproveita o próprio ar para queimar o combustível.

Graças a essa capacidade, ele pode em tese levar um avião a velocidades de cerca de 12 mil km por hora (algo como atravessar toda a Avenida Paulista em apenas um segundo). Para efeito de comparação, o supersônico Concorde voava a pouco menos de 2,2 mil km/h.

Em alta velocidade, o ar dispensa fans e compressores para acelerá-lo e aquecê-lo como nos turbofans, o que simplifica sua estrutura, mas exige materiais nobres para suportar o calor extremo. A grande vantagem, segundo explica o engenheiro aeroespacial Ten. Norton Assis é a maior carga útil permitida. Graças à ausência dos tanques de oxigênio é possível transportar até 15% de carga útil em relação ao seu peso – nos foguetes convencionais esse valor é de apenas 5%. “Como não leva o oxidante no interior, o veículo torna-se mais seguro e essa redução de peso agrega mais eficiência”, acrescenta.

A FAB apresentou o projeto durante a LAAD, maior feira de defesa da América Latina em busca de apoio para desenvolvê-lo. Ou seja, agora a fase é de divulgação e não mais de discrição.

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