ABIMDE
A ABIMDE realizou, nesta quarta-feira (14), mais uma reunião plenária, com a participação de representantes de empresas associadas nos formatos presencial e virtual. O encontro recebeu o Dr. Roberto Gallo, CEO da Kryptus, ex-Presidente da ABIMDE e atual Diretor do Conselho de Administração, e José Velloso Dias Cardoso, Presidente-Executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), para duas apresentações sobre as mudanças tecnológicas, produtivas e geopolíticas que vêm redefinindo as perspectivas da indústria brasileira.
Com o tema “Avançar ou morrer: IA como fundamento para a indústria de defesa”, o Dr. Gallo analisou como a inteligência artificial deixou de ocupar uma posição acessória e passou a integrar processos de comando e controle, desenvolvimento de produtos, engenharia e produção. A partir de experiências recentes em conflitos e de aplicações já utilizadas por empresas e centros de pesquisa, ele mostrou que a velocidade de processamento, a integração de dados e a capacidade de testar diferentes hipóteses em intervalos cada vez menores vêm alterando tanto a condução das operações militares quanto a forma de conceber sistemas de defesa.
O executivo também chamou a atenção para os reflexos dessa transformação nas empresas. Segundo sua análise, a incorporação da IA aos processos de engenharia permite reduzir significativamente os ciclos de desenvolvimento, automatizar experimentações e aperfeiçoar a fabricação. Para o Dr. Gallo, a indústria brasileira dispõe de núcleos de excelência e conhecimento técnico, mas precisará incorporar essas ferramentas ao desenvolvimento de produtos e aos processos produtivos para acompanhar a evolução dos concorrentes internacionais.
Na segunda apresentação, “Cenário geopolítico para indústrias”, José Velloso Dias Cardoso abordou as mudanças nas relações comerciais e nas cadeias internacionais de fornecimento. O Presidente-Executivo da ABIMAQ destacou que fatores como segurança de suprimentos, energia, tarifas, sanções, normas técnicas, requisitos ambientais e origem dos produtos passaram a ter peso crescente nas decisões industriais. Segundo ele, o modelo baseado predominantemente em preço, prazo e qualidade vem cedendo espaço a uma lógica que também considera a resiliência produtiva, a autonomia tecnológica e a capacidade de resposta dos países.
Velloso apresentou ainda indicadores sobre investimento, produtividade, presença de equipamentos importados e participação de bens de maior conteúdo tecnológico na manufatura brasileira. Entre os pontos abordados, ressaltou o aumento da participação de máquinas estrangeiras no mercado nacional e a necessidade de elevar os investimentos em modernização dos processos produtivos, automação e qualificação profissional. Em sua avaliação, a inteligência artificial, a robótica colaborativa e a mão de obra capacitada deverão exercer um papel crescente na organização da produção.
Outro ponto apresentado foi a necessidade de as empresas incorporarem fatores geopolíticos às decisões sobre produção, fornecedores, mercados e investimentos. Velloso defendeu que, diante de um ambiente internacional sujeito a mudanças comerciais e regulatórias, as organizações avaliem diferentes possibilidades antes de definir onde produzir, de quem comprar, para quais mercados vender e como distribuir seus investimentos.
As duas exposições convergiram ao mostrar que tecnologia, capacidade produtiva e autonomia passaram a estar cada vez mais interligadas. Ao promover o encontro, a ABIMDE proporcionou às associadas uma discussão sobre transformações que já alcançam o setor de Defesa e outras áreas da manufatura, com impactos no desenvolvimento tecnológico, nos processos industriais, nas cadeias de suprimento e no posicionamento das empresas brasileiras diante das mudanças internacionais.
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