ABIMDE
A Associação Brasileira das Indústrias de Material de Defesa e Segurança (ABIMDE) completou 30 anos de existência, tendo se consolidado como legítima e mais ampla representante do setor, contando com mais de 200 empresas associadas em todo o País. Às portas de uma nova eleição para o triênio de 2016-2019, e em meio a uma crise política e econômica que assola o Brasil, Frederico Aguiar reuniu o empresariado da Base Industrial de Defesa, a BID, em uma chapa de consenso para a presidência da ABIMDE e para o sindicato patronal, o SIMDE, chamada Superação. Para conhecer mais sobre as iniciativas que pretende tomar visando os difíceis tempos à frente, Tecnologia & Defesa, cumprindo seu papel ao lado da BID, conversou com o futuro presidente.
Tecnologia & Defesa - Frederico, o que podemos esperar para o segmento nos próximos três anos?
Frederico Aguiar - Temperança e criatividade são duas palavras que me ocorrem para caracterizar o que se espera do empresário neste momento difícil. Temperança no sentido de equilibrar energias e esforços na busca de soluções adequadas. Quanto à criatividade, a ABIMDE pretende trabalhar a quatro mãos com o governo em três vertentes principais: racionalização, criatividade e inovação.
T&D - Quais são os caminhos que a ABIMDE pretende trilhar para alcançar esses objetivos estratégicos?
Frederico - Primeiramente fortalecer a “diplomacia comercial”. O ministro Jacques Wagner inaugurou nas viagens que recentemente fez aos Estados Unidos e ao Iraque (foto abaixo) uma nova abordagem à frente do Ministério da Defesa (MD), quando se fez acompanhar de empresários da BID. Isso denota o exercício maduro da inteligência competitiva de Estado que, por meio do apoio a nações amigas encontram-se sinergias entre as indústrias, de lado a lado, e espaço para o fornecimento de equipamentos e serviços, além de treinamento conjunto das Forças Armadas, disse Unidade e ações para superar a crise minando cultura e doutrina. Outro ponto fundamental é o esforço integrado de preservação das capacidades existentes, com isso quero me referir a recursos humanos, tecnologias sensíveis e processos da BID.
Recentemente, a ABIMDE contratou um estudo da FIPE/ USP para mensurar o impacto na economia gerada por cada módulo de investimento de R$ 10 milhões no segmento de defesa e segurança. O resultado foi muito significativo, tendo demonstrado que, utilizando-se a metodologia “insumo – produto”, cada módulo investido resulta em R$ 33,4 milhões de efeito na economia e que representa 354 novos empregos. O estudo considerou também os valores empregados na segurança pública, que em nosso País são muito significativos.
Apenas como exemplo, a Polícia Militar do Estado de São Paulo administra um orçamento de R$ 11 bilhões, sendo que R$ 700 milhões são gastos em custeio e cerca de R$ 250 milhões em investimentos. Com isso quero deixar claro que o esforço a ser feito não se limita ao MD e às Forças Armadas, mas, sim, enfatizar que ele engloba o Ministério da Justiça e os governos estaduais.
No tocante aos estados da Federação há uma importante medida a ser considerada, ou seja, a isenção de ICMS nas transações que envolvam Empresas Estratégicas de Defesa (EED) e governos nas três esferas da administração; o Governo Federal já isenta as forças de segurança pública de IPI; caberia, portanto, aos governos estaduais deixarem de tributar entre os entes federados com o objetivo de racionalizar os parcos recursos disponíveis ampliando o poder de compra.
T&D - Como a queda do preço do petróleo e a crise econômica internacional podem afetar os planos de exportação da BID?
Frederico - É fato que as economias dependentes diretamente do petróleo tiveram seus orçamentos de defesa afetados, por outro lado, existem nichos de mercado que podem ser prioritariamente explorados pela BID.
A ameaça do Estado Islâmico aqueceu a demanda por aeronaves de combate ar-solo, onde a Embraer tem papel de destaque mundial. Outro exemplo seria o de armas portáteis com capacidade de combate anticarro, tecnologia dominada pela Mectron . A questão de vigilância com custos reduzidos pode ser atendida por veículos aéreos não tripulados (VANTs) e por aeróstatos (balões estacionários), cujas empresas fabricantes somam mais de quinze afiliadas à ABIMDE. Independentemente das crises e pressões econô- micas, as ameaças trazidas à tona pelo terrorismo, levantes sociais, crime organizado, pirataria, crimes transnacionais, entre outros, continuarão a forçar as nações a investir em defesa e segurança.
A título de exemplo, vale citar a revista “The Economist – Intelligence Unity” que, em recente pesquisa feita com 150 países, identificou 65 nações, 43%, classificadas como de “alto ou altíssimo” risco de manifestações por inquietações sociais. Entre elas estão, Argélia, Brasil, Argentina, Grécia, Bolívia, Venezuela, México, Peru, Bahrein, África do Sul e Iraque.
T&D - Como a ABIMDE enxerga a pressão das potências estrangeiras pela abertura completa do mercado brasileiro?
Frederico – O mercado de defesa nacional é um patrimônio e pertence ao povo brasileiro, mas não queremos com isso o monopólio ou estagnar o desenvolvimento da tecnologia. Objetivamos, sim, parcerias com empresas estrangeiras pelas quais possamos acessar novas tecnologias e acessar mercados mundiais. Para isso é necessário que existam normas que regulem a questão, como a Lei 12.598, que criou conceitos importantes como o de Empresa Estratégica de Defesa. Somente dessa forma participaremos da execução completa dos contratos dos grandes programas nacionais de defesa e segurança, o que garantirá o crescimento da BID, com elevação do nosso nível tecnológico e em escala global.
T&D - Como deverá ser a governança entre a ABIMDE e o SIMDE?
Frederico - A experiência tem mostrado que as ações nas duas casas precisam estar alinhadas. Enquanto a ABIMDE projeta suas ações com foco na interlocução com o governo, o SIMDE assume o papel de atuar junto às Federações e Confederações, que são os apoiadores regionais e nacionais do nosso segmento. Defesa e segurança abrangem quase todos os segmentos da economia, o que nos garante o apoio de nossas associações irmãs, como ABIMAQ, ABINEE, ABIT, entre outras.
T&D - Com que estrutura conta a ABIMDE para essa enorme tarefa?
Frederico - Entre várias medidas tomadas nesta atual administração, vale ressaltar a contratação de Maurício Borges (ex-presidente da APEX), para atuar frente à Diretoria de Relações Institucionais que ficará na recém aberta filial de Brasília (DF). A ideia é ficarmos ainda mais próximos dos nossos interlocutores no Governo Federal, bem como manter contato mais cerrado junto ao Legislativo. Estamos, também, trabalhando num Planejamento Estratégico para, de forma estruturada, poder focar em resultados palpáveis que se traduzam em benefícios para as mais de 220 empresas que hoje constituem o nosso prestigiado quadro de associados.
T&D - Quais são as demais empresas e pessoas que participam da Chapa Superação para a ABIMDE e para o SIMDE?
Frederico - Para não correr o risco de omitir algum nome, gostaria que a revista publicasse as ilustrações referentes a ambas as chapas na íntegra (a lista foi publicada na íntegra na revista ).
CHAPA "SUPERAÇÃO"
2016-2018
CONSELHO DIRETOR
Cargo -- Nome --- Associada
Presidente
Carlos Frederico Queiroz de Aguiar
CONDOR
1º Vice-Presidente
Sami Youssef Hassuani
AVIBRAS
Vice-Presidente Antonio Marco Moraes Barros
CBC
Vice-Presidente
Sérgio Aita
EMBRAER
Vice-Presidente
Francisco Antonio M. Laranjeira
EMGEPRON
Vice-Presidente
Celso José Tiago
IMBEL
Vice-Presidente
André Amaro da Silveira
ODEBRECHT
Diretor
Tarcisio Takashi Muta
FUNDAÇÃO EZUTE
Diretor
Wilson José Romão
LOGITEC
Diretor
Wagner Campos A. Silva
MECTRON
Diretor
Astor Lopes Jr.
BRADAR
Diretor
Leonardo Nogueira
ALTAVE
CONSELHO FISCAL
Cargo -- Nome – Associada
Efetivo
Beatriz V.X. da S. Rosa
TAROBÁ
Efetivo
Nicolau Alves Sebastião
SKM
Efetivo
Armando M. Repinaldo
LOGSUB
Suplente
André Nestor Bertin
BCA
Suplente
Ricardo Albuquerque
SIEMCONSUB
Suplente
Roberto Gallo
KRYPTUS
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