ABIMDE

News - Learn all about ABIMDE here

Brasil ainda mantém fôlego na exportação de equipamentos militares

By Sputnik News . Updated on 01/06/2021 - Published in 11/22/2017

“O Brasil tem longa tradição na exportação de equipamentos militares. A tradição não se perdeu, o que se perdeu foi um pouco da capacidade empresarial.” A afirmação é de Roberto Godoy, jornalista especializado em assuntos militares que analisou com exclusividade para a Sputnik Brasil as possibilidades de exportação dessa indústria nos dias de hoje.

A Comissão de Relações Exteriores do Senado promoveu um ciclo de debates sobre o papel do Brasil na nova ordem internacional e, dentro do tema, debateu com especialistas as oportunidades de negócio com a venda de material militar para diversos países. Esse é um mercado que não para de crescer. No ano passado, os países gastaram R$ 1,7 trilhão em defesa, com o Brasil respondendo por 1,4% desse total.

Godoy lembra que quando se fala em exportação de equipamento militar isso não significa apenas armamento, mas tecnologias e até hospitais de campanha, item que o Brasil exportava regularmente até há alguns anos. Eram unidades modulares, que serviam não só em operações militares como também humanitárias em atendimento a populações atingidas por desastres naturais.

Para o especialista, ainda hoje o mercado mais promissor para o Brasil é o Oriente Médio, no segmento de armas militares e pesadas. No segmento de armas leves, o melhor mercado continua sendo o dos Estados Unidos, o maior comprador de armas leves do Brasil, apesar do grande número de fabricantes locais e da qualidade dos produtos, isso sem falar na importação de vários países. “É muito fácil você se transformar em colecionador (lá). Basta ter dinheiro. O sujeito tem um fuzil feito na China e a arma pessoal dele, escondida debaixo do sofá, veio da Itália”, ironiza.

"A tradição brasileira começa pelo menos há 50 anos, quando o Brasil era um poderoso e influente player do mercado internacional, principalmente em blindados leves fabricados pela extinta Engesa, que produzia o Cascavel (blindado de reconhecimento armado), o Urutu (transporte de tropas, armado e anfíbio), o Jararaca (considerado o carro esporte dos blindados e de grande agilidade). Ela abriu mercado em 32 países", lembra o especialista.

O Brasil tem grandes nomes nessa indústria atuando já há algum tempo, como a Embraer, Taurus, Imbel, Avibras, entre outras. Rangel lembra que na esteira dessa onda surgiu a Avibras, que se colocou no mercado com um catálogo de bombas de múltiplo emprego e foguetes, como os ar-terra, um pouco menores que os convencionais, disparados a partir das asas de aviões. No começo dos anos 80, lançou o Astros 2 e que até hoje é considerado um dos melhores do mundo. Hoje o modelo está na sexta geração. O grande atrativo é que ao contrário dos concorrentes, que usam um único tipo de foguete, o Astros é capaz de disparar pelo menos três tipos com alcance variando de 10 a 100 quilômetros com calibres diferentes.

"(O Astro) vende muito, no Oriente Médio e agora na Ásia até com algum vigor. Entre os líderes (no Brasil), você tem a Embraer Defesa & Segurança, com suas famílias, envolvendo o SuperTucano, que já soma 130 mil horas de voo e cerca de 40 mil horas de combate. Foi empregado largamente na Colômbia na luta contra as FARC, está sendo utilizado pela aviação do Afeganistão contra os talibãs. Hoje é considerado o melhor na sua classe para esse tipo de missão. Ele serve para treinar pilotos, mas hoje ele é visto como um avião de ataque leve a alvos no solo, de apoio à tropa e reconhecimento eletrônico por até sete, nove horas", afirma Godoy.

O especialista ressalta que um dos grandes trunfos do Super Tucano é seu custo operacional muito inferior aos similares. O concorrente mais próximo é um jato americano que custa entre US$ 14 mil e US$ 34 mil por hora de voo, enquanto a do Super Tucano, em voo de reconhecimento, pouco passa de US$ 500 e em missão de combate, US$ 1.500.

"O que o Brasil precisa é ter uma política industrial de defesa muito bem definida e uma política de exportação e de armas em geral, leves, como as produzidas pela Taurus, que podem ser vendidas para colecionadores, caçadores, atiradores de precisão e que são vendidas principalmente para as polícias. O sucesso delas é tão grande que a Taurus mantém uma fábrica na Flórida (EUA) para atender aos pedidos americanos", diz Godoy, observando que a empresa está enfrentando no Brasil um problema sério: diversos lotes vendidos para policiais estaduais, como a de São Paulo, por exemplo, vêm apresentando defeitos graves, como disparos acidentais.

Na visão de Godoy, o governo tem que evitar os erros que vitimaram muitas empresas do setor nos anos 90, quando também o processo de redemocratização do país implicou mudanças também nessa área. Além de uma política sólida, na visão do especialista, é necessária a criação de uma legislação que garanta critérios éticos bastante rígidos.

See also
ABIMDE organiza agenda institucional na LAAD Security Milipol Brazil 2026 By ABIMDE Updated on 01/06/2021 - Published in 11/22/2017
Espaço Brasil abre agenda na FIDAE 2026 com articulação institucional em Santiago By ABIMDE Updated on 01/06/2021 - Published in 11/22/2017
ABIMDE coordena Espaço Brasil na FIDAE 2026, no Chile By ABIMDE Updated on 01/06/2021 - Published in 11/22/2017
See more
Back

Member Service

(11) 3170-1860

São Paulo - SP

Avenida Brigadeiro Luís Antônio, Nº 2,367 | 12º andar, Conjunto 1201 a 1207 - Jardim Paulista - Zipcode: 01401900

All rights reserved to ABIMDE2026

We use cookies to ensure that you have the best experience on our site. If you continue to use this site, we will assume that you agree to our privacy policy.