ABIMDE
Em uma estrutura marcada pela renovação periódica de seus integrantes, permanecer por cerca de 15 anos é uma perspectiva pouco comum. Essa experiência distingue a história do Coronel Aviador R1 Hilton Grossi Silveira, que encerra seu ciclo no Ministério da Defesa (MD) após acompanhar parte expressiva do amadurecimento institucional e industrial ocorrido desde 2011.
Ao longo desse período, participou da elaboração de políticas, integrou projetos nacionais e internacionais e presenciou a criação de instrumentos que alteraram a relação entre o governo, as Forças Armadas e as empresas brasileiras.
Antes de ingressar no MD, serviu na Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), sua última unidade na Força Aérea Brasileira (FAB), onde atuou nos projetos ALX, AMX e H-XBR. Já no Departamento de Produtos de Defesa (DEPROD), aplicou a experiência adquirida no acompanhamento de contratos às atividades relacionadas à Base Industrial de Defesa.
Entre os trabalhos desenvolvidos, estiveram acordos de cooperação com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), estudos sobre o segmento e projetos de compensação comercial associados ao H-XBR. Também participou de encontros com delegações estrangeiras e coordenou um grupo dedicado ao desenvolvimento de uma aeronave de treinamento para os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
No campo normativo, conduziu a elaboração da Política e Diretriz de Obtenção de Produtos de Defesa e colaborou na atualização da Política de Compensação Comercial, Tecnológica e Industrial de Defesa.
“Trabalhar no MD possibilita uma interação direta não só com as Forças Armadas, mas também com outros ministérios, entidades e instituições de Estado. Esse contato nos enriquece, permite conhecer como funciona a máquina pública e auxilia na condução de questões que extrapolam a Defesa”, afirmou.
Entre os marcos acompanhados pelo Coronel Grossi estão a Lei nº 12.598, sua regulamentação pelo Decreto nº 7.970, a criação da Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID), o credenciamento de empresas e o Regime Especial de Tributação para a Indústria de Defesa (RETID).
Na avaliação dele, houve ainda maior integração entre Marinha, Exército e Força Aérea, com a participação conjunta de representantes das três Forças em grupos de trabalho e nas discussões realizadas no âmbito da Comissão Mista da Indústria de Defesa.
Apesar dos avanços, o Coronel Grossi afirma que persistem desafios relacionados à escassez de recursos, à retenção de profissionais, à preservação do conhecimento e à manutenção da capacidade produtiva. A busca por mercados externos surge, nesse contexto, como alternativa para preservar competências e reduzir os impactos sobre as empresas. Nesse trabalho, ele destaca o apoio dos adidos de Defesa na intermediação de contatos e reuniões entre empresas brasileiras e setores responsáveis pelas aquisições das Forças Armadas e dos ministérios da Defesa de outros países.
Outro aspecto apontado pelo Coronel, e que considera possível colocar em prática atualmente, é o alinhamento entre as demandas militares e a capacidade de desenvolvimento do setor nacional. Segundo ele, a antecipação dos requisitos permitiria orientar investimentos e preparar soluções com maior segurança.
“Muitas vezes, as Forças demandam um produto pronto, com requisitos que a indústria nacional ainda não está apta a atender. O que puder ser antecipado e informado ao setor produtivo vai favorecer, e muito, o atendimento às necessidades”, declarou.
Ao concluir sua passagem pelo MD, o Coronel Hilton Grossi reúne a experiência de quem acompanhou mudanças que ampliaram a interlocução institucional, organizaram instrumentos de apoio e aproximaram o Ministério da Defesa da indústria brasileira.
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