ABIMDE
A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) participou, em 19 de junho, da reunião promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para atualizar entidades e federações sobre as investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O encontro abordou o processo no Brasil, a apuração de casos de trabalho forçado e as formas de atuação da indústria diante das recomendações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A ABIMDE foi representada por seu Presidente-Executivo, Tenente-Brigadeiro do Ar R1 José Augusto Crepaldi Affonso. O debate apresentou o panorama das investigações, os resultados divulgados pelo USTR, as possíveis consequências para as exportações brasileiras e os principais posicionamentos defendidos pela CNI nas tratativas com autoridades e entidades empresariais.
A Seção 301 do Trade Act de 1974 autoriza o USTR a investigar práticas comerciais estrangeiras consideradas discriminatórias ou prejudiciais aos interesses norte-americanos, podendo recomendar sanções unilaterais. No caso brasileiro, o processo foi aberto em 15 de julho de 2025. Em 1º de junho de 2026, o órgão publicou um relatório de conclusão com recomendação de tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras. No dia seguinte, em investigação sobre trabalho forçado envolvendo mais de 80 economias, o país foi enquadrado na alíquota de 12,5%.
Durante a exposição, a CNI detalhou os argumentos apresentados em defesa da indústria nacional. A entidade sustenta que o Brasil não adota medidas destinadas a prejudicar empresas americanas e apresentou dados sobre comércio digital, serviços de pagamento, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Também foram abordados pontos relacionados ao trabalho forçado, com menção ao arcabouço brasileiro de fiscalização, à due diligence nas cadeias de suprimento e ao reconhecimento internacional de instrumentos nacionais de combate a essa prática.
Segundo a CNI, caso as recomendações sejam implementadas, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passariam a estar sujeitas às novas tarifas. Consideradas também as medidas setoriais da Seção 232 já em vigor, a parcela submetida a alguma taxação adicional poderia chegar a 54,1%. A simulação compartilhada na reunião indica, ainda, que 31,6% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano poderiam enfrentar uma tarifa de 37,5%, decorrente da combinação entre a medida contra o Brasil e a apuração de trabalho forçado.
Para o Tenente-Brigadeiro Crepaldi, o acompanhamento do tema é necessário para orientar as empresas associadas e manter a Base Industrial de Defesa e Segurança atenta aos desdobramentos internacionais. “A ABIMDE continuará acompanhando as reuniões conduzidas pela CNI sobre esse assunto e seguirá as orientações definidas pela Confederação, sempre com atenção aos interesses da indústria brasileira e à preservação das condições de competitividade das nossas associadas no comércio exterior”, afirmou.
Com informações da CNI
Servicio al Miembro
Avenida Brigadeiro Luís Antônio, Nº 2.367 | 12º andar, Conjunto 1201 a 1207 - Jardim Paulista - CP: 01401900