Cenário global favorece Embraer e possível parceria com a Boeing

Fonte: DCI 09/03/2018

A recuperação da economia global e os preços altos dos combustíveis – o que eleva a demanda por novas aeronaves – geram expectativas positivas para a Embraer. E diante de um cenário mais acirrado, o mercado vê com otimismo uma possível parceria da fabricante com a Boeing.

“O interesse da Boeing na Embraer é na aviação comercial. Existe uma perspectiva boa para aviões de pequeno e médio porte”, aponta o analista de investimentos da Mirae Corretora, Pedro Galdi.

“O momento é bom, as pessoas estão mais dispostas a consumir passagens áreas globalmente. A tendência de alta do querosene de aviação está fazendo com que as companhias renovem suas frotas”, destaca Galdi.

Nesta quinta-feira (08), o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, declarou em teleconferência a jornalistas que não houve nenhum novidade nas últimas semanas em relação ao andamento das negociações com a Boeing. “As conversas continuam com o governo, temos um grupo técnico bastante engajado, mas nada que possamos acrescentar”.

Após a aquisição da Embraer pela Boeing ter sido vetada pelo governo brasileiro, foi proposta a criação de uma empresa conjunta de aviação comercial entre as duas partes. O acordo depende da autorização do Planalto.

“É uma operação complexa, com vários stakeholders interessados. Os três lados continuam buscando uma alternativa para atender os interesses das partes. É natural que leve tempo, mas as partes estão engajadas”, afirma Souza e Silva.

O alto impacto do querosene de aviação está criando uma movimentação nas companhias aéreas para renovar suas frotas com aeronaves que consumam menos combustível. “Isso é bom para a Embraer, pois representa novas encomendas”, diz Galdi.

No final de fevereiro, a KLM anunciou a compra de dois jatos Embraer, enquanto a Azul recebeu uma aeronave da Airbus. Ambas as companhias destacaram economia de combustível para gerar uma operação mais sustentável.

Efeito China

Galdi acredita que o interesse da Boeing na Embraer é para fazer frente à união entre Bombardier e Airbus nos segmento comercial. “As duas empresas se tornaram um competidor mortal”, avalia o analista.

Em outubro do ano passado, Airbus e Bombardier anunciaram uma sociedade no programa de jatos comerciais de médio porte CSeries.

Para alguns especialistas, essas parcerias fazem parte de uma estratégia de longo prazo para enfrentar uma pesada concorrência: a China. “O país asiático sempre concorre com preços competitivos em qualquer setor”, afirma Galdi.

No ano passado, o jato Comac C919, primeiro avião comercial desenvolvido inteiramente na China, fez seu primeiro voo de teste. O país asiático pretende fabricar aeronaves com preços muito inferiores aos produzidos pelos seus concorrentes.

“A evolução do consumo interno da China é muito grande. Um dia o país será uma ameaça para a Embraer. Mas é uma perspectiva ainda um pouco distante”, pondera o analista da Mirae Corretora.

Balanço financeiro

Nesta quarta-feira, a Embraer divulgou os resultados financeiros do quarto trimestre e de todo o exercício de 2017. A fabricante teve lucro líquido anual de R$ 899 milhões, queda de 7,2% em relação ao registrado em 2016.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou R$ 2,28 bilhões em 2017, uma queda de cerca de 19% na mesma base de comparação.

“A receita líquida refletiu a menor entrega de aeronaves e o impacto do câmbio, mas foi dentro da margem esperada”, declarou o vice-presidente executivo financeiro da Embraer, José Filippo, em teleconferência à imprensa.

Além desses fatores, o resultado foi impactado por custos adicionais no desenvolvimento do novo cargueiro militar, o KC-390. Em outubro passado, a empresa identificou a necessidade de um investimento extra de US$ 50 milhões após um dos protótipos ficar danificado em um incidente durante testes. De acordo com Filippo, a aeronave já foi reparada e voltou a voar.

“Isso não causou a revisão do projeto como um todo, mas dificultou etapas e gerou algum custo”, justificou o executivo na ocasião.

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